Como criar um grimório bonito e funcional
Se você começou a estudar bruxaria ou simplesmente gosta do universo místico, provavelmente já ouviu falar sobre o famoso grimório. Mas, ao pesquisar sobre o assunto, é comum encontrar fotos de cadernos cheios de caligrafia impecável, desenhos elaborados e páginas que parecem verdadeiras obras de arte. Isso pode dar a impressão de que, para ter um grimório, você precisa ser artista, gastar muito dinheiro ou esperar o momento perfeito para começar.
A verdade é que não. Um grimório existe para servir a você, e não o contrário. Ele é uma ferramenta de estudo, consulta e registro da sua caminhada. Pode ser simples, sofisticado, cheio de ilustrações ou apenas um caderno comum. O mais importante é que faça sentido para quem o utiliza.
Afinal, o que é um grimório?
Historicamente, grimórios eram livros que reuniam conhecimentos sobre magia, plantas, símbolos, rituais, invocações e diversas práticas esotéricas. Muitos ficaram famosos ao longo dos séculos e influenciaram diferentes tradições ocultistas.
Hoje, porém, o significado é muito mais pessoal. Para muita gente, o grimório funciona como um grande livro de referência, onde ficam registrados aprendizados, pesquisas, experiências e tudo aquilo que se deseja consultar futuramente.
Ele não precisa seguir regras rígidas. É um espaço que cresce junto com você.
Grimório ou Livro das Sombras?
Embora muitas pessoas usem os dois nomes como sinônimos, algumas tradições fazem uma pequena diferenciação.
O grimório costuma reunir conhecimentos mais gerais: significados de ervas, correspondências mágicas, fases da Lua, cristais, símbolos, deuses, feitiços e pesquisas.
Já o Livro das Sombras costuma ser mais pessoal. É nele que algumas pessoas registram experiências, resultados de rituais, reflexões, sonhos, tiragens de tarô e aprendizados adquiridos ao longo da prática.
No fim das contas, não existe uma regra universal. Você pode manter apenas um caderno para tudo ou separar os conteúdos em dois livros diferentes. Escolha a forma que for mais prática para você.
Escolhendo o caderno ideal
Não existe um "grimório oficial". Vale um fichário, um caderno simples, um bullet journal, um fichário de folhas removíveis ou até mesmo um arquivo digital.
O importante é pensar em algo que acompanhe seu ritmo de estudo.
Se você gosta de reorganizar as informações, um fichário costuma ser uma excelente escolha, pois permite acrescentar páginas sem bagunçar a ordem dos assuntos.
Se prefere escrever à mão sem muitas preocupações, um caderno comum resolve perfeitamente.
Se passa boa parte do tempo no computador, também não há problema em criar um grimório digital.
A ferramenta importa muito menos do que o hábito de registrar aquilo que você aprende.
Organize por assuntos
Uma das maiores dificuldades de quem começa um grimório é encontrar informações depois de alguns meses. Você escreve sobre ervas hoje, sobre cristais amanhã, depois registra uma tiragem de tarô e, quando percebe, não consegue mais localizar nada.
Criar categorias desde o início ajuda bastante. Você pode separar páginas para ervas, cristais, correspondências, fases da Lua, sabás, símbolos, divindades, banhos, receitas, tarot, numerologia, astrologia, sonhos, exercícios e anotações pessoais.
Também vale reservar algumas páginas iniciais para um índice. Conforme o grimório cresce, basta atualizar a numeração das páginas...parece um detalhe pequeno, mas economiza muito tempo no futuro.
Escreva com as suas palavras
Existe uma tentação enorme de copiar textos inteiros da internet ou de livros. No começo isso parece uma boa ideia, mas geralmente o resultado é um grimório cheio de informações que você nunca realmente absorveu.
Sempre que possível, leia diferentes fontes, compreenda o assunto e escreva usando as suas próprias palavras.
Esse processo ajuda muito mais no aprendizado e faz com que seu grimório tenha personalidade.
Além disso, conforme seus estudos avançam, é natural que sua visão sobre determinados temas mude. Não tenha medo de acrescentar observações ou corrigir informações antigas.
Um grimório não precisa ser perfeito. Ele precisa acompanhar a sua evolução.
Beleza é um complemento, não uma obrigação
As redes sociais popularizaram grimórios lindíssimos, cheios de aquarelas, colagens, caligrafias impecáveis e páginas extremamente elaboradas.
Eles realmente são bonitos, mas também exigem tempo, materiais e, muitas vezes, habilidade artística.
Se isso faz parte do seu hobby, ótimo. Se não faz, tudo bem também, pois uuma boa organização vale muito mais do que uma decoração impecável.
Você pode usar apenas canetas coloridas para destacar títulos, adesivos, washi tapes ou pequenas ilustrações simples. O objetivo é deixar a leitura agradável, não transformar cada página em uma obra de arte.
Não compare o seu grimório com o de outras pessoas.
Registre suas experiências
Essa talvez seja a parte mais valiosa. Anote o que funcionou para você.
Registre sonhos marcantes, resultados de rituais, interpretações de tiragens de tarô, fases da Lua em determinados acontecimentos, combinações de ervas que você gostou de utilizar e qualquer percepção que considere importante.
Com o passar do tempo, seu grimório deixa de ser apenas um livro de estudos e passa a contar a história da sua própria prática.
Nenhum livro comprado pronto pode oferecer isso.
Não espere o momento perfeito
Muita gente adia o início do grimório porque ainda não encontrou o caderno ideal, a caneta perfeita ou acredita que ainda sabe muito pouco.
Mas a verdade é que o melhor momento para começar é justamente quando ainda estamos aprendendo. Seu grimório não precisa nascer completo. Ele vai amadurecer junto com você.
Daqui a alguns anos, será interessante folhear as primeiras páginas e perceber o quanto seu conhecimento evoluiu. E talvez esse seja o maior encanto de um grimório: ele não guarda apenas informações sobre magia. Ele guarda uma parte da nossa própria jornada.

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